31/03/2019 às 12h43min - Atualizada em 31/03/2019 às 12h43min

Hoje é dia de comemorar?

Guilherme Vasconcelos Pereira
Hoje completam-se 55 anos do Golpe Militar no Brasil que levou a 21 anos de ditadura civil-militar país. Nesta semana foi anunciado que o presidente do país, determinava ao Ministério da Defesa a comemoração desta data. Entretanto, o que há para ser comemorado no dia de hoje, seja nos aspectos econômico ou social, em um regime que teve como característica o desrespeito aos direitos humanos?

Poderíamos focar aqui nos relatórios produzidos pela Comissão da Verdade, onde constam os mais de 400 desaparecidos ou mortos civis no período do regime, os 6 mil militares torturados, perseguidos, ou presos; mais além os estimados 8,3 mil indígenas mortos. Seria possível citar também a extensa lista de brasileiros exilados, estimada em no mínimo 5 mil brasileiros, nomes como Darcy Ribeiro, Celso Furtado, Josué de Castro, Oscar Niemeyer, Milton Santos, por exemplo. Mas parece que até isso se tenta negar ou apagar da história.

Existem aqueles saudosistas do chamado “Milagre Econômico” (1969-1973), do ponto de vista econômico apesar de um período de crescimento, a ditadura construiu em 21 anos uma economia nacional, endividada e dependente.  O período entre 1969-1973, por exemplo, apresenta uma característica fundamental para entender parte do legado deixado pela ditadura militar, a dívida do setor externo. O salto da dívida foi de U$3,8 bilhões no final de 1968, para U$12,6 bilhões no final de 1973 (até 1964 a dívida era de U$3,1 bilhões ), essa relação, contradiz muito o discurso sobre a ditadura ter sido nacionalista, pois esse período foi marcado por um ciclo de abertura a empresas estrangeiras, o aumento da dívida estava relacionado a importação e o ciclo expansivo de investimentos através do setor externo.

Porém as constantes tentativas de alcançar o crescimento econômico através do endividamento externo colocaram em cheque toda estrutura econômica nacional, o aumento do juros e os dois “choques do petróleo” o primeiro em 1973 e o segundo em 1979,  reduziram a demanda mundial por produtos e a circulação de investimentos nos países periféricos como o Brasil. Como resultado o colapso da economia nacional, inflação crescente nas décadas de 1970 e 1980, queda do salário real e principalmente o aumento da concentração de renda e da pobreza.

O processo chamado de “estatização da dívida” estabeleceu as bases para a argumentação de falência do Estado posteriormente, mas é preciso compreender que todo esse processo visava fortalecer e agradar os principais apoiadores do regime. Nesse sentido, mais um dos mitos da ditadura cai, a corrupção ocorreu favorecendo empresas que apoiavam o regime, sejam elas brasileiras ou estrangeiras. Por essas e outras razões devemos sempre lembrar do golpe e os anos de ditadura, pra que isso nunca mais venha a se repetir. Estamos em 2019, não há mais condições de retroceder, DITADURA NUNCA MAIS!

Fonte:
CARNEIRO, Ricardo, Desenvolvimento em crise a economia brasileira no último quarto do século XX.
CRUZ, Paulo Davidoff, Dívida externa e política econômica: a experiência brasileira nos anos setenta.
Comissão Nacional da Verdade , http://cnv.memoriasreveladas.gov.br/
http://memorialdademocracia.com.br/card/exilio-e-a-saida-para-milhares-de-brasileiros
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