11/02/2019 às 15h20min - Atualizada em 11/02/2019 às 15h20min

O que é esquerda e o que é direita?

Guilherme Vasconcelos Pereira - Guilherme Vasconcelos Pereira
Inauguro os trabalhos nessa coluna, tentando contribuir em uma questão, tema de diversos debates mais acalorados nos últimos anos (talvez desde 2013?). O que é direita e o que é esquerda na política? Claro, é um trabalho complicado, para se ter ideia da dificuldade uma pesquisa rápida no Google “o que é esquerda e direita na política” leva a mais de 4 milhões de resultados. Mas, para evitar as especulações, acusações e teorias da conspiração, vamos na origem histórica dos termos e seguir o debate.

O período em que surge essa diferença, no final do século XVIII, marca a transição do feudalismo para o capitalismo. Foi com a Revolução Francesa e a disputa entre quem assumiria as diretrizes da organização social nascente, onde estavam de um lado os girondinos, grupo formado por: grandes comerciantes (inclusive negociantes de escravos), proprietários de terra e integrantes da aristocracia; do outro os jacobinos, composto por pequenos comerciantes e profissionais liberais.

Quando digo cada um de um lado, me refiro a posição dos grupos nas Assembleias Nacionais, formadas pós-Revolução. Onde os girondinos, sentavam no lado direito da assembleia e os jacobinos no lado esquerdo. Os girondinos defendiam a conservação das estruturas sociais que vinham da monarquia, já os jacobinos defendiam uma transformação na estrutura social, como fim dos privilégios da nobreza e do clero, erradicação da pobreza e até o fim da escravidão nas colônias francesas.Nasceu ali a distinção entre as posições políticas de direita e esquerda.

Evidente que desde o século XVIII até hoje, muita coisa já aconteceu e muitos modelos de sociedade surgiram. Pensando no Brasil, a direita está ligada as pautas de liberdade econômica, que é uma mistura de “escolas” econômicas. Na prática, a principal defesa da Direita atualmente, foca na redução do tamanho do Estado. Com regulação econômica e social dada através do ”livre-mercado”. No campo moral a direita está de modo geral ligada a certas interpretações religiosas e a conservação desses valores, além disso, tende a valorizar mais o conhecimento baseado na fé do que na ciência. Por isso nos últimos anos viu-se uma empreitada contra universidades, escolas e seus respectivos professores, com base numa suposta doutrinação promovida nesses lugares que caminharia contra os valores morais defendidos por eles.

Já a esquerda em sua maioria defende a atuação do Estado na economia, no sentido de reduzir as desigualdades econômicas e sociais, bem como garantir os direitos da população, por exemplo, acesso à saúde, educação, moradia e saneamento, de qualidade. Além disso a esquerda abriga os grupos chamados de “identitários” como o movimento negro, feminista, lgbts, que tem suas próprias pautas, mas que não deixam de estar ligadas a reivindicação geral de direitos. Também abriga grupo que agem em defesa da preservação de comunidades tradicionais como quilombolas e indígenas.

Há ainda as extremidades tanto à direita quanto à esquerda, ambos defendem por princípio a exclusão do grupo adversário da política. São movimentos que caminham contra a democracia e as liberdades individuais, como de livre manifestação e expressão. Para finalizar é importante recordar que os movimentos extremistas (apesar de serem opostos) compartilham o aparelhamento do Estado como forma de manutenção de poder.


 
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