O xadrez político no Rio começa a expor uma contradição difícil de sustentar. Ao tentar construir uma candidatura ampla, que dialogue da esquerda à direita, Eduardo Paes dá sinais de que pode estar cometendo um erro clássico da política: querer agradar a todos e acabar não agradando ninguém.
De um lado, Paes se derrete em elogios ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, buscando consolidar apoio no campo progressista e manter pontes com o governo federal. De outro, aceita como vice uma indicação ligada a Washington Reis, figura declaradamente alinhada à direita e próxima da família Bolsonaro.
A composição soa pragmática no papel. Mas, na prática, transmite uma imagem de indefinição ideológica. Afinal, qual é o verdadeiro posicionamento do candidato? O eleitor de esquerda pode desconfiar da proximidade com aliados bolsonaristas. O eleitor conservador, por sua vez, vê com reservas os constantes acenos e elogios a Lula.
O primeiro sinal claro de que essa estratégia começa a cobrar preço veio com o pronunciamento do pastor Silas Malafaia, que rompeu publicamente e anunciou que não apoiará Paes. A mensagem foi direta: não adianta tentar compensar alianças políticas com gestos simbólicos. Para parte do eleitorado evangélico mais ideológico, o problema não é o nome da vice — é o projeto político.
O movimento de Malafaia não é apenas um episódio isolado. Ele funciona como termômetro. Mostra que setores importantes já começam a enxergar a candidatura como ambígua demais, calculista demais, estratégica demais — e convicta de menos.
Na tentativa de construir uma ponte entre campos opostos, Paes corre o risco de ficar parado no meio dela. Em política, muitas vezes, quem permanece em cima do muro acaba sendo empurrado pelos dois lados.
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