O estado do Rio de Janeiro conseguiu, mais uma vez, superar o próprio roteiro de horrores que a ficção jamais ousaria escrever. O relatório da Polícia Federal (CLIQUE AQUI) sobre o deputado Rodrigo da Silva Bacellar, então todo-poderoso presidente da ALERJ, não é apenas um documento investigativo; é um atestado de óbito da moralidade pública, passado a limpo na cidade do Rio de Janeiro. Para que você, pagador de impostos, entenda exatamente quem manda no seu dinheiro, comecemos pelo nível mais esgoto da administração: às 22:12h de uma noite de terça-feira, no meio de despachos sobre a agenda oficial, o assessor de máxima confiança Rui Carvalho Bulhões Júnior decide enviar a Bacellar uma foto de costas de nudez explícita e constrangedora (pág. 43), conforme relatório de caráter público da Polícia Federal.
Se você espera que o presidente do poder legislativo tenha reagido com o mínimo de choque ou ao menos uma advertência sobre quebra de decoro, é porque você ainda tem fé na República Fluminense. A resposta de Bacellar é a mais assustadora e intrigante possível: “Devo sair mais 1h15”. A absoluta banalidade com que “a traseira” e a genitália de um subordinado cruza o WhatsApp do presidente da ALERJ prova que os gabinetes legislativos se transformaram em autênticas alcovas virtuais. Esse era o homem encarregado de conduzir o orçamento bilionário do estado, dividindo a tela do celular entre despachos, propinas e fotos íntimas. Que vergonha monumental para a história do parlamento fluminense!
Mas a orgia institucional não para na ALERJ; ela atravessa a rua e contamina com requintes de crueldade o Tribunal Regional Federal da 2ª Região. Pois bem. Apresento-lhes o Desembargador Federal Macário Ramos Júdice Neto, cuja relação com Bacellar faz as trocas de adolescentes apaixonados parecerem frias. Entre “Te amo” para cá e “Deus te abençoe irmão” para lá, o presidente da ALERJ crava uma de suas mais belas juras de lealdade mafiosa: “Vc eu levo pro caixão meu irmão nunca duvide disso”. É com essa graciosidade que os pilares da democracia brasileira são corroídos pelo cupim da cumplicidade espúria.
O amor, no entanto, cobra seu preço em favores muito terrenos e imorais. O desembargador, incapaz de agir como o cidadão comum, usa o “irmão” Bacellar para conseguir quatro ingressos VIP para o jogo do Flamengo, ouvindo do deputado que ele “arrebentaria o portão” para agradar o magistrado se precisão fosse. Como recompensa nesse escambo escabroso de gentilezas financiadas com o poder público, Flávia Ferraço Lopes Júdice, a esposa do desembargador, ganha um cargo em comissão na ALERJ. Eis a Justiça brasileira: cega para a corrupção de seus pares, mas de olhos bem abertos para as benesses do nepotismo disfarçado e para as arquibancadas do Maracanã.
Não satisfeito em humilhar a ALERJ e o Judiciário, Bacellar precisava também vilipendiar a própria rotina doméstica. O grande líder político, que supostamente mantinha uma relação de fachada conjugal com Keila Thalita Carvalho dos Santos de acordo com o relatório da PF, utilizava o honrado Desembargador Macário como o mais patético e conveniente dos álibis. Para despistar a companheira e fugir de dar explicações sobre seu paradeiro, o deputado envia a desculpa cínica: “To no jantar com desembargador”.
A magistratura federal, paga com salários e privilégios que esmagam as costas do trabalhador brasileiro, foi rebaixada a uma mera cortina de fumaça para cobrir as fugidinhas e os acertos sombrios do então cacique fluminense. É o Judiciário servindo de capacho para as traições com explicações via WhatsApp. A absoluta desmoralização das instituições não era apenas um efeito colateral da gestão Bacellar; era o seu método operacional diário.
Nesse circo de bizarrices onde tudo é loteado, não poderia faltar a cota da folia. Entra em cena Marcelo Pires Vieira, o Belo, famoso cantor que, entre declarações recíprocas de “Eu te amo” com o deputado, ostenta em tom de deboche o título de “Seu Secretário de Cultura ! Firme e Fiel”. O Estado não é uma entidade que serve ao público; para essa laia, o Estado do Rio de Janeiro é um churrasco de domingo infinito, onde as fatias de poder são distribuídas entre pagodeiros, doleiros e amantes, sob as gargalhadas sádicas de quem sabe que a impunidade é a regra.
A palhaçada, no entanto, escorre sangue quando chegamos ao núcleo duro da operação. O presidente da ALERJ não é apenas um engravatado fofoqueiro; ele atua como o anjo da guarda do Comando Vermelho. Ao conversar com Thiego Raimundo de Oliveira Santos, o “TH Joias” – operador de lavagem de dinheiro da mais letal facção do Rio –, Bacellar é informado de uma operação iminente. TH pergunta se deve sumir com freezers de carne e ocultar as provas. O “ilustre” parlamentar responde: “deixa doido”.
Aí está a verdadeira face da segurança pública no Rio de Janeiro. Policiais morrendo em favelas, cidadãos espremidos pelo terror do tráfico, enquanto o presidente da Assembleia Legislativa orienta criminosos milionários a escaparem da Polícia Federal. Segundo o Relatório da Polícia Federal, Rodrigo Bacellar atuava como um suposto CEO do narcotráfico segundo o relatório da PF, usando sua influência política para garantir a manutenção do poder territorial do Comando Vermelho. Ele não apenas convivia com a escória criminosa; ele a ajudava a liderar de dentro de seu gabinete refrigerado.
E se você se pergunta como esse homem conseguiu manter-se incólume por tanto tempo, a resposta está na contabilidade macabra do caso CEPERJ. Uma planilha fria e nojenta, chamada “PEDIDOS EM 12-04-23.XLSX”, detalha como a ALERJ inteira foi comprada à vista. Bacellar distribuiu feudos no Detran, na Faetec e em prefeituras para garantir o silêncio e o apoio de seus pares. Ele transformou os nobres deputados estaduais em uma quadrilha de despachantes do dinheiro público.
A conta final desse balcão de imundícies foi paga no dia em que 87,88% dos deputados estaduais votaram histericamente pela sua soltura. Eles não votaram para salvar Bacellar; votaram para salvar o esquema que os alimentava. A sociedade fluminense precisa acordar desse transe anestésico. Estamos sendo governados, julgados e legislados por uma súcia de cínicos que trocam nudes, escondem traficantes e usam o Judiciário como álibi para crimes e até mesmo adultério. Se essa nojeira institucional não for suficiente para causar revolta e limpar a política do Rio de Janeiro, então os cidadãos do ERJ já perderam a guerra para a barbárie.
Notícias do site: Campos 360 News


































