Um estudo inédito, divulgado em primeira mão, aponta que o projeto de lei que propõe o fim da escala 6×1 pode ter um impacto devastador na economia brasileira. A proposta, encabeçada pela parlamentar trans Erika Hilton (Psol-SP), pode levar ao fechamento de até 1,2 milhão de postos de trabalho formais no país. A informação foi apresentada hoje, 3 de março de 2026, pela frente do agro, durante um almoço com jornalistas.
O levantamento, que reúne projeções de diversas entidades como as confederações da Agricultura e Pecuária do Brasil, a Confederação Nacional da Indústria, a Organização das Cooperativas Brasileiras, a FecomercioSP e a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras, indica que a mudança na escala de trabalho elevaria o custo da hora trabalhada em 22%. Esse aumento representaria um impacto anual de cerca de R$ 230 bilhões, o que equivale a quase 2% do Produto Interno Bruto (PIB).
O cálculo leva em consideração não apenas os salários e encargos sociais, mas também a necessidade de novas contratações para manter o atual nível de produção. A estimativa analisou os efeitos da medida, principalmente, no comércio e nos serviços, setores que empregam um grande número de pessoas e operam com margens de lucro mais apertadas. O relatório aponta que as empresas desses setores teriam dificuldades em absorver o aumento de custos sem recorrer à redução de postos de trabalho formais.
Impactos em diversos setores
O estudo também apresenta dados sobre os possíveis impactos no setor sucroenergético. A redução da jornada para 36 horas semanais exigiria a contratação de até 156 mil novos funcionários para manter o volume de produção, gerando um custo adicional anual entre R$ 10 bilhões e R$ 12 bilhões. Mesmo em um cenário de 40 horas semanais, seriam necessárias 65 mil novas admissões.
As entidades produtoras alertam que, caso as empresas optem por não expandir o quadro de funcionários, o ajuste poderá ocorrer por meio da redução da produção, automação, adiamento de investimentos ou até mesmo o encerramento de unidades menos eficientes. Nesse contexto, a pesquisa aponta para o risco de perda de competitividade, especialmente em cadeias exportadoras.
Diante desse cenário, o dossiê defende que eventuais mudanças na jornada de trabalho deveriam ser precedidas de um período de transição gradual e de negociação coletiva, a fim de mitigar os impactos sobre o emprego, os preços e o investimento.
É crucial que o governo e os legisladores considerem cuidadosamente esses dados e perspectivas antes de avançar com a proposta, buscando um diálogo aberto com todos os setores da sociedade para encontrar soluções que garantam os direitos dos trabalhadores sem comprometer a saúde da economia nacional.
Notícias do site: Campos 360 News





























