A revolta tomou conta de São Francisco de Itabapoana e já ganhou até apelido popular. Nas ruas e nas redes sociais, moradores passaram a se referir à prefeita Yara Cinthia como “Yararaca”, uma alusão direta à percepção de que a gestora se transformou em uma jararaca: distante, silenciosa e indiferente ao sofrimento do próprio povo.
O estopim da indignação é a crise no abastecimento de água, que já dura mais de nove dias em localidades como Santa Clara e Sossego. Em pleno verão, famílias convivem com torneiras secas, improvisos humilhantes e total ausência de respostas concretas do poder público municipal. Água, um direito básico, virou privilégio.
Enquanto a população clama por socorro, a prefeita permanece muda. Não há explicações claras, não há plano emergencial efetivo e não há presença visível da chefe do Executivo nos locais mais atingidos. O silêncio oficial contrasta com o desespero de quem depende de baldes, caminhões-pipa irregulares ou da ajuda de vizinhos para sobreviver.
A Câmara de Vereadores, que deveria ser a voz do povo, também escolheu a omissão. Nenhum vereador se destaca pela cobrança firme, nenhuma audiência pública relevante, nenhuma pressão real sobre o Executivo. Para muitos moradores, os vereadores se tornaram cúmplices do abandono ao optarem pelo conforto da passividade.
A sensação de isolamento da população é agravada pelo comportamento da mídia local. Dependentes de verbas publicitárias da Prefeitura, diversos veículos evitam críticas mais duras e, em alguns casos, chegam a apagar comentários e denúncias de moradores. O resultado é um cenário em que o sofrimento coletivo é abafado e a narrativa oficial prevalece, mesmo diante da realidade escancarada.
Sem prefeita atuante, sem vereadores combativos e sem uma imprensa verdadeiramente livre, o povo de São Francisco de Itabapoana se vê sem a quem recorrer. O apelido “Yararaca” não surge por acaso: é o reflexo de uma gestão vista como fria, ausente e desconectada da dor das comunidades.
O município pede socorro. A pergunta que ecoa é simples e incômoda: até quando a população continuará abandonada, enquanto o poder público finge que nada está acontecendo?
Campos 369 News
































