O governador do Rio, Cláudio Castro (PL), comunicou a deputados estaduais na noite desta quarta-feira que manterá a exoneração do ex-secretário estadual de Transportes, Washington Reis (MDB). A demissão de Reis foi publicada há quase uma semana pelo presidente da Assembleia Legislativa, Rodrigo Bacellar (União), que ocupava temporariamente a cadeira de governador durante uma viagem de Castro ao exterior. Desde então, Castro não havia se manifestado sobre o assunto, e vinha sofrendo pressões de diferentes partes.
O aviso de Castro aos deputados foi noticiado inicialmente pelo portal Tempo Real, e confirmado pelo GLOBO. Segundo interlocutores do governador, ele decidiu não desautorizar o ato de Bacellar após ser comunicado sobre possíveis retaliações na Alerj.
Nesta quarta, Bacellar reuniu um grupo de mais de 20 deputados estaduais para um jantar, numa tentativa de sinalizar força em meio à queda de braço com Reis. O grupo inclui parlamentares bolsonaristas do PL, integrantes de siglas como Republicanos e União Brasil, e até uma deputada do PSOL, Dani Monteiro.
Desde o domingo à noite, quando Castro retornou de sua viagem ao exterior, o governador e o presidente da Alerj não haviam conversado sobre a demissão de Reis. Na terça, Castro teve uma reunião no Rio com deputados estaduais que integram a “tropa de choque” de Bacellar na Alerj — Alan Lopes (PL), Alexandre Knoploch (PL), Filipe Poubel (PL) e Rodrigo Amorim (União) — e com o secretário estadual de Governo, André Moura (União), que havia assumido interinamente a pasta de Transportes após a demissão de Reis.
Segundo participantes da reunião, Castro foi alertado de que perderia apoio na Alerj caso batesse de frente com a decisão de Bacellar.
Na véspera, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) havia se manifestado pedindo o retorno de Reis ao governo, e aconselhando Castro a articular um armistício entre o ex-secretário e Bacellar. O movimento irritou o presidente da Alerj, que interpretou a declaração de Flávio, segundo interlocutores, como uma tentativa de o próprio Castro “terceirizar” a tomada de decisão.
Castro chegou a dizer a aliados, nesta quarta-feira, que cogitava suspender suas férias, previstas para terem início na sexta, devido à dificuldade de chegar a uma solução sobre o futuro de Reis. Na conversa com os deputados estaduais, o governador foi informado de que União Brasil, partido de Bacellar, e PP — que está prestes a formar uma federação com o União, que tende a ficar sob comando do presidente da Alerj — estavam de acordo com a demissão de Reis.
Procurado, o governo do Rio ainda não se manifestou oficialmente.



























