A discussão sobre o fim da escala de trabalho 6×1 — modelo em que o trabalhador atua seis dias e descansa apenas um — voltou a ganhar força no Congresso Nacional, mas o relator da proposta na Câmara fez um alerta: mudanças precipitadas podem afetar diretamente o nível de empregos no país.
O deputado Paulo Azi (União Brasil-BA), responsável por relatar a PEC que trata do tema na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), afirmou que a melhoria das condições de trabalho é importante, mas não pode ocorrer às custas da redução de postos de trabalho. Segundo ele, é preciso encontrar um equilíbrio entre qualidade de vida e manutenção da atividade econômica.
Para o parlamentar, permitir que trabalhadores tenham mais tempo com a família e para o lazer é um objetivo legítimo, porém a mudança precisa ser construída de forma responsável. Ele ressaltou que não faz sentido adotar uma medida que traga benefícios teóricos, mas que acabe diminuindo a oferta de empregos.
De acordo com Azi, áreas que dependem fortemente de mão de obra podem sentir mais os efeitos de uma eventual mudança. Entre os segmentos citados estão o comércio varejista, bares, restaurantes, eventos e serviços em geral, onde o custo com trabalhadores representa parte significativa das despesas das empresas.
A proposta em discussão prevê reduzir a jornada semanal de 44 para 36 horas, além de substituir o modelo 6×1 por uma escala 4×3, com quatro dias de trabalho e três de descanso. O texto ainda passará por debates e audiências públicas no Congresso, podendo sofrer alterações antes de uma eventual votação.
O relator também destacou que o tema ganhou grande repercussão nacional e envolve diretamente a vida de milhões de trabalhadores. Por isso, ele defende que a discussão seja feita com responsabilidade, evitando que o assunto seja utilizado apenas como bandeira política em ano eleitoral.
Se aprovada, a mudança poderá representar uma das maiores alterações nas regras de jornada de trabalho no Brasil nas últimas décadas — e promete manter aceso o debate entre trabalhadores, empresários e o Congresso Nacional.
Notícias do site: Campos 360 News





























