Uma planilha apreendida pela Polícia Federal durante investigação envolvendo o presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, Rodrigo Bacellar, trouxe à tona indícios de um possível loteamento da estrutura do governo estadual entre deputados da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro.
O documento, encontrado no computador de um ex-chefe de gabinete ligado ao parlamentar, apresenta uma espécie de “mapa político” da máquina pública, listando cargos, órgãos e estruturas do governo que estariam sob influência de parlamentares, além de novos espaços que teriam sido solicitados dentro da administração estadual.
A planilha, intitulada “Pedidos em 12-04-23”, cita diversos deputados estaduais e seus supostos interesses dentro da estrutura do governo. Entre os nomes mencionados estão Rodrigo Amorim, Filippe Poubel, Márcio Canella, Dr. Deodalto, Chico Machado, Val Ceasa, Carla Machado, Fred Pacheco, Rosenverg Reis, Jair Bittencourt, Vinícius Cozzolino, Tande Vieira, Douglas Ruas, Dr. Serginho, Anderson Moraes, Alan Lopes, Márcio Gualberto, Samuel Malafaia, Giovani Ratinho, além do próprio Rodrigo Bacellar.
De acordo com os investigadores, o material detalha estruturas estratégicas do governo estadual que estariam sob influência política, incluindo órgãos como Detran-RJ, Faetec, Fundação Leão XIII, hospitais estaduais e até unidades da Operação Segurança Presente. A suspeita é que essas estruturas estariam sendo utilizadas como instrumentos de articulação política dentro da base parlamentar.
A Polícia Federal também destacou um dado que chamou atenção durante a análise do documento: grande parte dos deputados citados na planilha votou posteriormente a favor da soltura de Bacellar quando o caso foi levado à Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, o que reforçou, para os investigadores, a hipótese de alinhamento político consolidado dentro do grupo.
Além da planilha, os agentes federais também apreenderam anotações que indicariam um possível esboço de estrutura de governo, com nomes cogitados para secretarias e cargos estratégicos em uma eventual reorganização do poder estadual. Embora o planejamento político não configure crime por si só, o material passou a ser analisado dentro do conjunto da investigação.
O episódio reacende um debate antigo na política fluminense: até que ponto cargos públicos estão sendo utilizados como moeda de troca dentro do jogo político. Caso as suspeitas se confirmem, o que a planilha revela não é apenas uma disputa por espaços de poder, mas um possível retrato de como parte da estrutura do Estado pode estar sendo tratada como território de influência parlamentar.
Diante das revelações, cresce a pressão para que o governo do estado, comandado por Cláudio Castro, esclareça qual é, de fato, o nível de influência da Assembleia nas nomeações e no funcionamento de órgãos estratégicos da administração pública fluminense. Afinal, quando cargos públicos passam a servir como moeda política, quem corre o risco de perder é sempre o cidadão.
Notícias do site: Campos 360 News




























