A disputa pelo Governo do Rio de Janeiro pode ter terminado ainda no primeiro turno. Embora Douglas Ruas (PL) tenha ficado abaixo dos 50% dos votos válidos na totalização que considera a votação de Anthony Garotinho (Republicanos), uma decisão judicial sobre o registro do ex-governador poderá modificar a base de cálculo e levar o candidato do PL à maioria absoluta.
Ruas terminou a votação deste domingo (4) na primeira colocação, com aproximadamente 49,31% dos votos válidos. Eduardo Paes (PSD) ficou em segundo lugar, com cerca de 42%. Garotinho, por sua vez, recebeu pouco mais de 3% dos votos, mas sua situação eleitoral ainda depende de uma definição da Justiça.
A questão é que os votos atribuídos a candidatos com registro indeferido podem deixar de ser considerados válidos, dependendo da decisão definitiva do processo. Se isso ocorrer com a votação de Garotinho, o número total utilizado para o cálculo dos percentuais será reduzido.
Na prática, Ruas não receberia os votos de Garotinho. O que muda é a base sobre a qual sua própria votação será calculada. Com um universo menor de votos válidos, os quase 49,3% obtidos pelo candidato do PL podem representar mais da metade do total.
Resultado das urnas coloca Ruas na liderança
Douglas Ruas chegou ao fim do primeiro turno à frente de Eduardo Paes, que vinha aparecendo na liderança ou em situação de empate técnico em diferentes momentos da campanha.
O candidato do PL terminou a apuração muito próximo da marca necessária para garantir a eleição sem a realização de uma segunda votação.
A diferença entre os percentuais dos dois primeiros colocados, somada à votação de Garotinho, tornou a situação jurídica do ex-governador um dos principais fatores para a definição do resultado.
Caso os votos de Garotinho permaneçam na contagem dos votos válidos, Ruas não alcança a maioria absoluta e a disputa entre os dois primeiros colocados deverá prosseguir no segundo turno.
Se esses votos forem excluídos, porém, os percentuais de todos os candidatos são recalculados. Nesse cenário, a votação de Ruas pode ultrapassar os 50% exigidos para uma vitória no primeiro turno.
Datafolha apontou possibilidade de definição imediata
A possibilidade de uma vitória de Douglas Ruas ainda no primeiro turno também foi considerada pelo Datafolha durante a apuração.
Com o avanço da totalização das urnas, o instituto avaliou que, caso os votos de Anthony Garotinho deixassem de integrar a base dos votos válidos, Ruas poderia alcançar a maioria necessária para ser declarado eleito.
Quando mais de 80% das urnas haviam sido apuradas, o candidato do PL já se aproximava da marca de 50%, enquanto Eduardo Paes permanecia na segunda posição.
A votação de Garotinho, embora relativamente pequena diante dos dois primeiros colocados, passou a ter peso decisivo justamente porque pode alterar o número total utilizado para definir a maioria absoluta.
Impugnação feita por Paes ganha novo peso na disputa
A situação também ganhou contornos políticos porque Eduardo Paes foi quem apresentou a impugnação contra o registro da candidatura de Anthony Garotinho.
Agora, a decisão sobre a validade desses votos pode ser determinante para estabelecer se Paes terá uma nova oportunidade de disputar o governo no segundo turno ou se Ruas será considerado eleito já neste domingo.
É importante destacar que a eventual retirada dos votos de Garotinho não significa que eles sejam transferidos para qualquer outro candidato. A mudança ocorre exclusivamente na base de cálculo.
Com os votos mantidos, o total de votos válidos é maior e Ruas permanece abaixo dos 50%. Se eles forem retirados, o universo diminui e a proporção de votos obtida pelo candidato do PL aumenta.
TSE deve decidir situação de Garotinho
A definição sobre o destino desses votos depende da situação jurídica da candidatura de Anthony Garotinho.
De acordo com informações divulgadas durante a apuração, o presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ), desembargador Claudio de Mello Tavares, afirmou que a palavra final sobre o caso caberá ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O registro de Garotinho foi indeferido e o processo ainda é analisado pela Justiça Eleitoral.
Por isso, apesar de a apuração das urnas já apontar Douglas Ruas como o candidato mais votado, a definição sobre o resultado oficial da eleição depende também do desfecho jurídico relacionado aos votos de Garotinho.
Se eles forem mantidos entre os votos válidos, Ruas e Paes deverão disputar o segundo turno, previsto para 25 de outubro.
Caso sejam definitivamente excluídos da base de cálculo, Ruas poderá superar os 50% e ser declarado governador eleito já no primeiro turno.
O resultado das urnas, portanto, já definiu quem terminou na liderança. O que ainda precisa ser definido é se essa vantagem é suficiente para encerrar a disputa pelo Governo do Rio de Janeiro.
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