Há um velho ditado que alerta sobre o perigo de combater monstros e acabar se tornando um deles.
Eu poderia basear esta coluna nesse ditado, mas não.
O texto desta semana é inspirado num bordão repetido à exaustão na TV aberta. Bem mais próximo da nossa realidade:
“Vamos, tesouro, não se misture com essa gentalha!”
O que vem depois dessa frase nós já sabemos: Quico fala “gentalha, gentalha” enquanto caçoa do Seu Madruga.
Mas, e se víssemos dois Quicos, dois mimados, duas gentalhas caçoando uma da outra?
Simples. É só olhar pra nossa realidade.
Passamos anos apontando — corretamente — a histeria do tribunal da internet, os cancelamentos fúteis e a infantilidade de quem não suporta quem simplesmente pensa diferente.
Em tese, defendemos a liberdade de mudar de canal ou não comprar tal marca sem fazer estardalhaço.
Defendemos, né?
Em tese, o choro é livre.
Ele é, né?
Ou será que a coerência virou artigo de luxo, caro demais até pros Quicos — tanto os de terninho de marinheiro vermelho ou verde e amarelo — que preferem seguir o discurso da manada?
Bom, basta o vento mudar de direção pra que o comportamento mude de cor, ou de lado.
A tática do boicote barulhento, do linchamento virtual, assim como fizeram com Sikêra Jr. e Jovem Pan, agora foi adotada por quem jurava ser diferente.
De repente, “a propaganda me ofendeu”. Sério? A gente virou isso? Fiscais de marketing?
O Brasil passa por um momento obscuro: o rombo bilionário do INSS, escândalo do Banco Master, um ex-presidente morrendo enquanto um ministro decide como e quando a morte será.
Assuntos densos, complexos, que exigem cérebro. Mas o que importa pro brasileiro médio é a campanha da marca tal.
Por que não brincar de cancelamento seletivo, imitando exatamente a tática daquela ‘gentalha’ que passamos anos criticando?
No fim, é melhor começar 2026 com os dois pés… numa ferradura.
E, Chespirito, gênio, tomo a licença de reescrever a frase:
“Vamos, tesouro, e não fique falando com o espelho.”



























