No Brasil, a lógica é simples: quem dá a ordem é visionário, quem cumpre a ordem é criminoso. Luiz Fux, em seu voto reluzente de horas intermináveis, conseguiu dar vida a esse princípio com a maestria que só a toga suprema pode oferecer.
Bolsonaro, o maestro do caos, foi absolvido. Ora, ele só pensou, só falou, só desenhou estratégias. Não passou disso, segundo Fux, então não é crime. Já Mauro Cid, o obediente ajudante de ordens, aquele que se limitou a dizer “sim, senhor” e apertar os botões, esse foi condenado. Porque, claro, executar ordens é muito mais grave do que inventá-las.
É a versão jurídica do clássico “quem mandou ser trouxa?”. Cid virou o bode expiatório perfeito: um soldado que acreditou que deveria obedecer. O chefe sai bem na foto, posa de injustiçado, enquanto o ajudante ganha de presente uma ficha criminal para pendurar na parede.
A mensagem é pedagógica: no Brasil, desobedeça seu chefe se quiser salvar a própria pele. Porque aqui a ordem não responsabiliza o mandante, só destrói a vida de quem a cumpre.
Se fosse filme, o título seria: “Bolsonaro absolvido: a vitória do plano sem executor”. Mas como é vida real, fica o aprendizado: seja sempre o mandante — nunca o obediente. Afinal, nesse tribunal da esperteza, quem manda é gênio, quem obedece é idiota.



























