O evangelho já advertia: “Por se multiplicar a iniquidade, o amor de muitos se esfriará” (Mateus 24:12). A cada dia, vemos essa profecia se cumprir de forma escancarada. Vivemos numa era em que o egoísmo é celebrado, a indiferença é normalizada e a solidariedade é tratada como crime ideológico. Ajudar o próximo, dividir o pão ou defender justiça social, em muitos círculos, virou sinônimo de “comunismo”.
Onde está Cristo para os que se dizem cristãos? Nos púlpitos e discursos, Ele é exaltado; nas redes sociais, é usado como bandeira; mas, no cotidiano, seus ensinamentos são ignorados. O Cristo que curava leprosos, que defendia pobres e marginalizados, hoje é substituído por um Cristo de conveniência, moldado para justificar intolerância, preconceito e individualismo.
O amor, que deveria ser o coração da fé cristã, não está apenas esfriando — já está congelado em muitas consciências. Enquanto famílias passam fome, multidões repetem que “cada um deve cuidar de si”. Enquanto a desigualdade explode, há quem diga que estender a mão é coisa de ingênuo ou de “esquerdista perigoso”. Amar ao próximo, mandamento central do cristianismo, foi sequestrado por narrativas políticas e soterrado sob camadas de hipocrisia.
É um paradoxo cruel: pregam liberdade, mas não toleram a compaixão; exaltam Deus, mas rejeitam os necessitados; citam a Bíblia, mas ignoram suas páginas mais simples. A religião virou escudo para o egoísmo, e a fé, em muitos casos, não passa de ornamento para justificar a falta de humanidade.
O esfriamento do amor é, antes de tudo, uma escolha social. É o resultado de uma cultura que valoriza mais o consumo do que a compaixão, mais a aparência do que a essência, mais o próprio bolso do que a vida alheia. Não há ditadura pior do que a do individualismo, porque ela aprisiona silenciosamente os corações e mata a solidariedade.
Se Cristo voltasse hoje e perguntasse a esses que se dizem Seus seguidores: “Onde está o amor que lhes ordenei viver?”, o silêncio seria ensurdecedor. Talvez nem fosse silêncio — seria mais um grito de ódio travestido de fé.




























