O tempo é o senhor da razão,
também o carrasco da coerência.
Os cegos de fanatismo inflam suas bochechas de arrogância — e detergente — para defender o indefensável.
O Potro de Tróia enfia goela abaixo o patrocínio do Bobo-de-Uau-Street no filme do pai.
E poucos têm a coragem de não se calar.
Acompanho o trabalho de Luís Ernesto Lacombe desde a época em que ele ancorava o esporte no Bom Dia Brasil. Mas foi quando eu tinha apenas 13 anos, começando a rabiscar meus primeiros textos sobre televisão, que ele cruzou o meu caminho.
Foi na fase do Aqui na Band, inclusive. Lacombe foi o primeiro profissional do meio a me incentivar a seguir esse sonho da comunicação.
Hoje percebo que aquela admiração do Pyettro, até então só sonhador, não era à toa. Lacombe segue sendo a antítese — e talvez o antídoto — de tudo o que apodreceu no jornalismo brasileiro.
Enquanto a “mídia independente” — com muitas aspas, por favor! — preferiu o malabarismo para proteger o 01, Lacombe fez o que a profissão exige e, claro, o fã-clube odeia: deu nome aos bois. Em sua coluna na Gazeta do Povo, ele pontua: não dá para posar de paladino da moralidade enquanto se aceita R$60 milhões de Daniel Vorcaro para produzir uma cinebiografia-heroica.
O “pecado” dele, aos olhos dos Quicos de roupinha verde e amarela, foi não ter as bochechas infladas de hipocrisia.
O massacre que ele vem sofrendo nas redes — com direito a ataques coordenados daquela MESMA turma que ELE ajudou a validar durante anos — é o retrato de parte da direita, já necrosada. Para o fanático, o jornalista que cobra coerência é mais perigoso que o político que mente. Que lógica brilhante, não?
Lacombe já havia sentido o gosto amargo dessa loucura quando rompeu com o desequilibrado Allan dos… Panos… Santos… sei lá…. sujeito que age como chefe de seita espoliadora.
Aliás, que bom, enquanto admirador de seu trabalho, esse rompimento…
Se você se cala diante do erro do seu aliado, você não é jornalista. Você é relações-públicas de enrolado, como cita a coluna dele na Gazeta do Povo.
E, para mim, ter como referência um profissional que coloca a biografia e os seus valores acima da conveniência é um privilégio.
Pralém da torcida e do barulho ensurdecedor das redes, o jornalismo de verdade só sobrevive na capacidade de olhar para o próprio umbigo e dizer: “isso está errado”.
No fim, o que sobra é o legado de quem não se vendeu pela blindagem de uma bolha.
Bolha, mesmo. A princípio, um domo forte. Mas, quando se olha de dentro, frágil.
É um prazer ter como inspiração alguém que nunca se curvou diante do sistema,
na Globo, na Band, ou até mesmo dentro da própria direita.
E, claro, nunca traiu seus princípios.



























