O assassinato brutal de Marielle Franco e Anderson Gomes não foi apenas um crime contra duas vidas. Foi um ataque direto à democracia, à dignidade humana e à esperança de uma sociedade mais justa. O fato de nomes como Domingos Brazão e Chiquinho Brazão figurarem como réus acusados de serem mandantes desse crime já seria suficiente para provocar indignação nacional permanente. No entanto, o que mais choca é perceber como as engrenagens do poder continuam girando, protegendo relações, preservando influências e revelando uma promiscuidade institucional que insiste em sobreviver.
Rodrigo Bacellar, figura central da política fluminense e presidente afastado da Assembleia Legislativa, admitiu uma amizade de mais de vinte anos com Domingos Brazão e sua esposa Alice Kroff Brazão. Não se trata de um contato distante ou protocolar. Trata-se de convivência, de confiança, de proximidade construída ao longo de décadas. Essa revelação não é apenas um detalhe irrelevante. Ela expõe o quanto o poder político brasileiro funciona como um clube fechado, onde alianças pessoais frequentemente se sobrepõem ao interesse público (ASSISTA AO VÍDEO AQUI).
O encontro entre Rodrigo Bacellar, Kaio Brazão e Robson Calixto Fonseca, conhecido como Peixe, é outro episódio que desafia qualquer tentativa de normalização. Peixe é acusado de fornecer a arma usada na execução de Marielle Franco e Anderson Gomes. Ainda assim, ele estava sentado à mesma mesa que um dos homens mais poderosos do Legislativo estadual. A alegação de que o encontro teve caráter político não elimina o desconforto inevitável que qualquer cidadão consciente deve sentir diante dessa cena.
É impossível ignorar também que Rodrigo Bacellar foi preso em dezembro sob suspeita de obstrução de investigação em outro caso envolvendo Thiego Raimundo dos Santos Silva, o TH Jóias. A suspeita de que um agente público teria alertado um investigado para destruir provas não é apenas grave. É devastadora. Isso corrói a confiança nas instituições e reforça a sensação de que existe uma elite política que opera acima da lei, protegida por sua própria rede de influência.
Enquanto isso, nomes como Eduardo Cunha, Washington Quaquá e Waguinho aparecem como aliados, testemunhas ou apoiadores políticos em um cenário que mais parece um retrato da decadência moral do sistema. A tentativa de mobilizar figuras influentes, buscar apoio partidário com Antonio de Rueda e articular proteção institucional revela uma realidade perturbadora. Não é apenas um caso criminal. É um ecossistema de poder onde interesses privados parecem constantemente se sobrepor à justiça.
Pedro Brazão, irmão dos acusados, também procurou Rodrigo Bacellar para interceder em favor de Chiquinho Brazão. Esse tipo de movimentação revela como a política brasileira ainda opera sob a lógica da intermediação pessoal e da influência informal. Não se trata de legalidade. Trata-se de acesso, de proximidade e de privilégio. Enquanto isso, o cidadão comum enfrenta um sistema lento, impessoal e frequentemente implacável.
O mais revoltante é perceber que tudo isso acontece enquanto a memória de Marielle Franco e Anderson Gomes continua sendo símbolo de resistência e de luta. Eles não tinham redes de proteção, não tinham padrinhos políticos poderosos e não tinham o privilégio de operar nos bastidores do poder. Tinham apenas suas convicções e sua coragem. E foi exatamente isso que lhes custou a vida. O Brasil precisa decidir se continuará sendo refém de estruturas que protegem os poderosos ou se finalmente terá coragem de exigir responsabilidade real daqueles que ocupam posições de autoridade.
Notícias do site: Campos 360 News





























