O técnico João Correia, demitido do time sub-20 do Athletico de maneira surpreendente para a torcida, não culpa o presidente Mario Celso Petraglia pela decisão. Em entrevista ao canal Trétis, o português revelou os bastidores e que foi chamado pelo diretor financeiro Márcio Lara para ser comunicado do desligamento.
“Ele falou que o tipo de treinador que eles querem para o sub-20, não é mais um treinador da alta competição, que pensa tanto em vencer e que querem mudar a lógica. Então é uma demissão que eu aceito porque eu também não quero estar em um clube que não quer um treinador que não seja altamente competitivo. Disseram que iriam procurar um novo treinador. Acredito, sinceramente, e agora está nas mãos do Petraglia, não será difícil encontrar um treinador no modo que eles querem”, disparou João Correia.
O português, que entrou para a história do Furacão como o técnico mais jovem a assumir o time principal, mesmo que interinamente, foi o responsável por comandar o time de aspirantes no Campeonato Paranaense 2026. Com bons resultados neste início de ano e três títulos conquistados pelo sub-20 em 2024 e 2025, João se surpreendeu com a demissão no Athletico.
“Pra mim, foi uma surpresa. Foi surpreendente. Sem mágoa. Mas eu aceito as razões do clube. Se a estratégia do clube muda para não ter um treinador altamente competitivo, eu me considero um treinador da alta competição. Doente e obcecado por ganhar o próximo jogo. Isso eu sou. Se não querem um perfil assim, eu aceito. Mas o que se foi colocado é que isso foi um impeditivo para valorizar jogadores. Aí entramos em discórdia. Uma conversa curta, reta, de dois minutos. Também não queria ficar muito tempo”, completou.
“Considerava gênio”: João Correia faz desabafo sobre Petraglia
Um dos pontos mais surpreendentes na demissão de João Correia foi a aprovação do presidente Mario Celso Petraglia. Isso porque o dirigente rubro-negro também tem ótima relação com o empresário Fabrício Souza, ex-meia histórico que ficou marcado por perder um pênalti na final da Libertadores de 2005 e que agencia a carreira do português no futebol brasileiro.
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João declarou que ficou desiludido com Petraglia, mas isentou o presidente da demissão ao dizer que o mandatário ouviu pessoas que nunca o viram trabalhar e que “não têm a cara do Athletico”.
“A única pessoa que acaba por me desiludir, e não quero que leve para o coração, é o nosso presidente [Petraglia]. Sei que muita gente falava coisas para ele. Pra mim, ele era um exemplo e um pai no futebol. Ele vive o futebol com a mesma exigência que eu. Com a mesma genialidade. Eu considerava ele um gênio. E ele deixou que pessoas que não têm a cara do Athletico, que não são como eu e ele, que não têm os quatro ventos e que nem colocaram os pés em um treino meu, nunca viram uma preleção minha, tomassem essa decisão por ele. Isso acaba por ser a única coisa que me desilude”, declarou.
Português indica que foi perseguido no ambiente interno do Athletico
No início deste ano, João Correia foi chamado de “arrogante” por Alessandro, campeão brasileiro pelo Athletico em 2001. O ex-lateral-direito foi demitido do cargo como auxiliar técnico do time sub-17 em janeiro deste ano e expôs o racha nas categorias de base há duas semanas.
Na visão de João, as declarações de Alessandro representaram uma caça contra ele que existia no CT do Caju. “Custa-me a crer que a razão realmente da minha queda foi essa. Eu sinto que houve uma caça ao homem. Caça ao homem, que eu vivi, já existem tentativas dentro do clube há muito tempo. Quero deixar claro que eu nunca discuti com ninguém. Da minha parte, nunca tive problema com ninguém. Claramente havia pessoas que estavam a fazer essa caça ao homem.
“Essa entrevista [do Alessandro] também foi uma surpresa, mas representa bem essa caça ao homem que estava a existir”, apontou.
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O português defendeu que sempre colocou o Athletico acima de tudo e que sempre torceu por todos os profissionais, do sub-13 ao elenco profissional. Além disso, disse que repercutiu a entrevista de Alessandro com o time sub-20 e que teve uma resposta positiva do elenco.
“Quem fala que eu só penso em mim, não trabalhou comigo. Se ser um cara exigente é ser um cara arrogante, se ser um cara obcecado por ganhar é ser um cara arrogante, eu também aceito. Foi o que eu falei para a equipe depois da entrevista que sou muito arrogante. Se ser arrogante é chegar e querer arrebentar com todos os adversários, eu quero um time arrogante em campo. O time tem respondido muito bem a isso, desde esse dia. Nós temos tido uma pressão incrível. Nos últimos quatro jogos, tomamos um chute no gol. Estávamos no nosso melhor momento”, lamentou.
Polêmica em treino pré-Atletiba do time sub-20 marcou semana do adeus no Athletico
João Correia foi demitido dois dias depois de vencer o clássico contra o Coritiba por 1 a 0, pela 4ª rodada do Campeonato Paranaense sub-20. Contudo, um dos episódios abordado na entrevista para a Trétis foi de uma situação polêmica no treinamento na véspera do confronto.
João teria se irritado e sido mais agressivo com o elenco de jovens, além de ter dado um chutão na bola para cima. O técnico confirmou o fato, mas diz que não se arrepende. Na visão dele, isso só serve como cortina de fumaça para a demissão.
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“Verdade. Se é o comportamento que eles não querem de um treinador, está tudo bem. Se eles mudaram a estratégia, está tudo bem. Eu sou esse treinador. Íamos jogar um Atletiba. Se o treino não está no nível que tem que estar, que é o de excelência, que o Athletico tem nas paredes. Isso tem que estar presente em todos. Está presente em mim desde que eu nasci. Ser Athletico é algo muito natural para mim porque é ser eu”, apontou.
“Sinceramente, em um treino pré-Atletiba que não estamos na excelência… Não foi o que aconteceu e nem é o jogador, mas vou dar um exemplo. Não vou falar: ‘Vitinho, faz por favor, tu podes correr um bocadinho menos?’. ‘Chiqueti, tu podes reagir um pouquinho mais rápido?’. Chiqueti, que nem está conosco. Isso não é o futebol hoje em dia. Não é assim que tu consegues uma equipe competitiva. Naquele momento eu achei que tinha que dar o chute em uma bola. Como já fui um bocadinho mais agressivo, chutei um balde. Futebol é isso”, finalizou.
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