Depois de meses de indefinição sobre os rumos políticos da família Bacellar, o vereador de Campos dos Goytacazes Marquinho Bacellar (União Brasil) vai disputar uma vaga de deputado federal nas eleições de outubro. Será a primeira vez que ele concorrerá a um cargo fora do Legislativo campista. A candidatura mantém o sobrenome da família nas urnas em um momento completamente diferente daquele projetado até o ano passado, quando seu irmão, Rodrigo Bacellar, ocupava a presidência da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) e era um dos personagens centrais da política fluminense.
A definição ocorre depois de um período turbulento para o grupo. Rodrigo perdeu o mandato de deputado estadual e foi declarado inelegível pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Dois dias depois da decisão, em 27 de março, voltou a ser preso preventivamente por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito das investigações da Operação Unha e Carne.
O próprio vereador deu sinais do momento vivido pela família. Em julho, ao anunciar apoio ao candidato a deputado estadual Dr. Lucas, do PSD, Marquinho afirmou que, nos piores momentos, esperava encontrar apoio de pessoas que estavam ao lado do grupo, mas relatou “decepção” e “portas fechadas”. Na mesma manifestação, classificou a nova movimentação como um “reinício da trajetória da família Bacellar”.
Um mês antes, ao falar sobre uma visita ao irmão na prisão, Marquinho já havia admitido publicamente o impacto da situação. Disse que a família não estava “100% feliz”, classificou o período como uma “turbulência” e afirmou que grande parte do meio político havia se afastado de Rodrigo após a prisão.
A candidatura a deputado federal surge, portanto, como a definição de um caminho depois de meses em que o futuro eleitoral do grupo permaneceu em aberto. No início do ano, Marquinho já havia sinalizado interesse em concorrer à Câmara dos Deputados e mantinha conversas com dirigentes do União Brasil. Agora, o projeto deixa o campo das articulações e passa oficialmente para as urnas.
De olho em Brasília, mas distante do plenário em Campos
Enquanto prepara o salto para uma disputa federal, Marquinho parece ter esquecido do seu trabalho atual.
Desde agosto do ano passado, o vereador tem feito poucas aparições nas sessões da Câmara Municipal. Em quase um ano, suas idas ao plenário podem ser contadas na mão, apesar de ele continuar exercendo formalmente o mandato para o qual foi reeleito em 2024 com 5.345 votos.
Entre essas aparições, a que mais repercutiu ocorreu na sessão extraordinária realizada em 24 de dezembro de 2025, véspera de Natal. Naquele dia, os vereadores foram convocados para votar, entre outras matérias, o projeto relacionado ao parcelamento de valores devidos à PreviCampos. Marquinho compareceu, votou contra a proposta e protagonizou um dos momentos mais tensos da sessão.
Durante os embates no plenário, o vereador direcionou ataques aos vereadores governistas Dudu Azevedo e Juninho Virgílio, utilizando repetidamente expressões como “pinscher” e “cadelinha do prefeito”. Foram 18 repetições dos xingamentos.
Do Legislativo municipal à tentativa de chegar a Brasília
Marquinho foi eleito vereador pela primeira vez em 2020 e reeleito em 2024. Também presidiu a Câmara Municipal no biênio 2023-2024.
A missão rumo ao Congresso Nacional ocorre, porém, em circunstâncias bem diferentes das imaginadas pela família há pouco mais de um ano. Rodrigo, que chegou a ser governador por mais de uma vez e potencial candidato ao Governo do Estado, está fora da disputa eleitoral, sem mandato e preso.






























