Na última quarta-feira, com o licenciamento de seis dias do prefeito Wladimir Garotinho, Frederico Paes assumiu o cargo interinamente. Em seus dias à frente do executivo, Paes manteve uma agenda focada na continuidade administrativa, priorizando revisões de alinhamento com os secretários municipais. Uma das primeiras agendas de Frederico Paes incluiu uma reunião com o secretário de Gestão de Pessoas e Governança Digital, Wainer Teixeira.
Técnico e discreto: o perfil do prefeito interino
O objetivo da gestão interina é claro e bem simples: garantir que os serviços essenciais e os projetos em andamento não sofram qualquer tipo de interrupção. Para isso, o gestor em exercício tem se dedicado a despachos internos e a uma série de encontros com a equipe de governo para se aprofundar nas pautas correntes de cada pasta.
Obviamente não havia expectativa de anúncios de grande impacto ou de mudanças significativas nas políticas municipais durante este período. Wladimir retornou hoje, segunda, à prefeitura.
Mas, além da substituição temporária, a atual gestão interina de Paes pode ser entendida como mais um passo em uma transição de poder planejada, mirando o pleito de 2026. Isso se evidencia não apenas nas repetidas licenças de Wladimir Garotinho, que habituam a população à imagem do vice no comando, mas também em movimentos administrativos estratégicos. A nomeação de Frederico para presidir uma comissão de revisão de contratos, por exemplo, é um sinal claro de fortalecimento e de um esforço para dar a ele mais protagonismo na gestão.
Contrapontos…
Essa estratégia vai além de um simples cumprimento de rito. Cada um desses períodos interinos parece, mais, com um “treinamento televisionado” para o vice, visando construir e normalizar sua imagem como sucessor. Paes é exposto aos despachos administrativos e às negociações de bastidores — essas já parecem fazer parte da sua rotina. Para o eleitorado, sua presença na cadeira de prefeito vai se tornando algo familiar.
Ao mesmo tempo, para alguns secretários e vereadores — o que, em Campos, parece ter o mesmo significado —, Paes já é visto há um tempo como um “prefeito em espera”, cuja ascensão já é vista como uma continuação. Isso porque, segundo o jornalista Arnaldo Neto, “quem convive nos bastidores da Prefeitura não esconde que até já existe uma certa divisão do pessoal “que é de Wladimir” e do “que é de Frederico”, inclusive em alguns cargos estratégicos. Na Saúde, onde o vice-prefeito foi mais atuante desde o início do primeiro mandato, isso estaria ainda mais claro“.
É aí que entra um outro ponto significativo no jogo político de Campos: as ambições de certos parlamentares e chefes de pastas do executivo, além dos acordos feitos com Wladimir, estarão em xeque no próximo ano?
Já é sabido que, dos 20 vereadores de base, 8 estariam insatisfeitos com a atual gestão do município. Ou melhor, com Wladimir, por acordos não cumpridos e, principalmente, pela dificuldade de falar com o prefeito – que só atende aos parlamentares em eventos, mediante muita sorte e insistência. O que parecia especulação foi confirmado a este colunista por fontes do próprio legislativo e é evidente para quem acompanha de perto os parlamentares.
Ainda assim, mesmo dentre esses 8, há nomes que, para conseguir ser atendidos, demonstram publicamente sua lealdade intrínseca ao Garotinho. Mas, será que essa lealdade, se real, se estenderá a Frederico a partir do ano que vem? Ou o futuro prefeito seguirá com seu perfil mais técnico e discreto, jogando para o escanteio os acordos políticos feitos pelo seu antecessor?
Não se pode fazer previsões a essa altura do campeonato, mas…
Algumas coisas são certas:
- visando a cadeira de governador, o cargo de vice ou uma cadeira no congresso nacional, Wladimir deixa o cargo de prefeito em abril
- logo, Frederico assume como novo prefeito durante os últimos 2 anos do atual mandato
- a mudança pode ser imperceptível em alguns setores, que já estariam sendo comandados pelo, hoje, vice
- alguns dos parlamentares, incluindo os insatisfeitos, devem se lançar candidatos à Alerj ou ao Congresso, competindo com o atual prefeito
E, claro, para além do poder executivo…
Nos restam algumas dúvidas:
- os acordos, incluindo secretarias e cargos de confiança, serão mantidos?
- a base da Câmara seguirá unida ou será desmembrada?
- Frederico promoverá um “choque de ordem” na prefeitura ou seguirá com o modelo “Wladimir” de governar?



























