Pareceu uma viagem no tempo, direto para maio de 91, cuidadosamente orquestrada.
Nesta segunda-feira, 4 de agosto de 2025, o SBT reeditou uma de suas dobradinhas mais icônicas: O Chaves, que vai ao ar às 18h, entregou a programação para as sirenes e a urgência do novo Aqui Agora, às 18:30.
Exatamente igual aos anos 90.
A nostalgia, por si só, já seria um grande atrativo, mas a emissora precisava provar que o formato ainda tinha relevância. — E provou.
Logo na estreia, o programa foi brindado com a maior manchete do dia, talvez do ano: a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro. Era o teste de fogo perfeito para um jornalístico que promete agilidade e impacto, e a cobertura imediata mostrou que o “Aqui Agora” não voltou para brincar.
Na bancada, a dupla formada por Dani Brandi e Marco Pagetti revelou um potencial nítido, mas também — me pareceu mostrar — um nervosismo de primeiro dia. Pagetti — que começou com um timing um pouco distante do que eu, particularmente esperava — parecia ansioso nos minutos iniciais, enquanto Brandi, talentosa e segura, ainda buscava se adaptar a um formato mais corrido e de notícias curtas, diferente do que estava acostumada no finado ‘Tá na Hora’.
Porém, a dupla é ótima. Nada que alguns minutos não resolvessem. E resolveram. A dupla engrenou e conduziu bem o bloco de notícias na bancada. — Já explico melhor isso.
Foi então que o SBT sacou sua arma secreta: Geraldo Luís.
A entrada de Geraldo não foi como a de um simples repórter especial; ele chegou para fazer um programa dentro de outro. Sim, testemunhamos um Balanço Geral dentro do Aqui Agora, inspirado no programa clássico, mas com um toque que só esse trio — totalmente inesperado — poderia proporcionar.
De um lado, a “formalidade” — sim, entre aspas — da bancada com notícias diretas; do outro, Geraldo com seu estilo popular, conversando com o povo e com repórteres consagrados como Tony Castro e Fátima Souza detalhando as histórias com outra linguagem. Dois formatos, dois modos completamente diferentes de apresentar a notícia, se intercalando com interações entre si.
A aposta era arriscada e poderia facilmente resultar num caos esquizofrênico. O que, na minha opinião, na real, foi um acerto estrondoso, criando um dinamismo que prendeu a atenção. É inegável que a escolha de Geraldo Luís como comandante das notícias urgentes, ao vivo, com a famosa “câmera nervosa”, foi perfeita tanto para atrair como também para prender a audiência.
Os números confirmam a tese. O programa recebeu a audiência de Chaves com 1.6 ponto na Grande São Paulo, localidade onde o programa é exibido. Em apenas seis minutos, já marcava 2.4. Com meia hora no ar, cravou 3.2 pontos, um feito notável que colocou o SBT — que passa pela maior crise de audiência da sua história — à frente da Band no horário.
A estreia do novo Aqui Agora mostra que há, sim, espaço para um jornalismo vibrante e popular — como ele se autointitula — na TV aberta. Ao mesclar a nostalgia da marca com a inovação de um formato híbrido, a postura já conhecida de Dani Brandi, o ar mais formal, ainda que opinativo de Marco Pagetti — confesso que não o conhecia — e o carisma certeiro de Geraldo Luís, o SBT conseguiu não apenas reviver um clássico, mas dar a ele um novo e promissor fôlego. Resta saber se o ritmo se manterá, mas o primeiro passo foi dado com o pé na porta.
E o público, assim como eu, adorou.




























