Os doramas conquistaram de vez os corações brasileiros — e não pense que são só as mulheres, não! Os homens também entraram para o mundo dorameiro e vêm marcando presença nas redes sociais. No Instagram, por exemplo, já é comum ver perfis masculinos comentando sobre os dramas asiáticos. Mas é verdade: a maioria ainda é formada por mulheres que suspiram pelos “oppas” — expressão carinhosa usada pelas dorameiras para se referirem aos galãs das séries. Na Coreia do Sul, o termo significa “irmão mais velho”, mas por aqui virou sinônimo de crush!
Em Campos dos Goytacazes, o amor pelos doramas deu origem a um grupo que só cresce. Criado pelas Irmãs Dorameiras, Andreia Corrêa e Vanessa Nascimento — sim, essa jornalista que vos escreve! —, o grupo já reúne quase 160 integrantes em um grupo no WhatsApp. O perfil no Instagram, @irmas.dorameiras, está prestes a alcançar 6 mil seguidores, com vídeos que já ultrapassam a impressionante marca de 600 mil visualizações.

Por que os doramas encantam tanto?
Originados no Japão, os doramas são séries asiáticas que hoje têm seu maior destaque na Coreia do Sul, China e Tailândia. Mas o que os torna tão especiais? As cenas românticas — e um tanto tímidas — são o charme do gênero. Um toque de mãos pode demorar episódios para acontecer, e o primeiro beijo… ah, esse pode surgir só lá pelo décimo! Tudo é envolvido por um respeito doce e quase poético, o oposto do que se costuma ver nas produções ocidentais. É essa delicadeza, esse cuidado com os sentimentos, que tem conquistado o público — e talvez explique o sucesso entre quem busca histórias com mais alma e menos apelação.
De oito a cem dorameiras — o sucesso dos encontros
O primeiro encontro promovido pelas Irmãs Dorameiras foi em maio deste ano e reuniu apenas oito apaixonadas, incluindo mãe e sobrinha das organizadoras. Já no mês seguinte, o número saltou para quase 30 participantes. Agora, o próximo encontro, marcado para 6 de setembro, será em formato de evento, com direito a salão de festas, espaços instagramáveis, karaokê, brindes e brincadeiras temáticas. A expectativa é reunir cerca de 100 dorameiras — e promete ser inesquecível!
Como tudo começou

Eu, Vanessa, me tornei dorameira por influência da minha irmã Andreia. Tudo começou na época da pandemia, período em que a gente acabava consumindo muito mais conteúdo nas plataformas de streaming e foi com o dorama “Pousando no Amor”, um dos maiores sucessos da Netflix. Assisti um, depois outro… e pronto, estava fisgada! Eu tenho o meu oppa favorito, que é o Lee Min-ho, um ator coreano. É difícil escolher um dorama favorito, porque são muitos que são bons, mas “Alquimia das Almas”, “Pousando no Amor” e “Amor Entre Fada e Demônio” estão entre os meus queridinhos.
Com a Andréia não foi diferente. A empresária de 48 anos também começou desconfiada. Achava estranho o estilo e o ritmo mais contido. Mas bastou assistir “Pousando no Amor” e conhecer o ator Hyun Bin (o oppa de milhões!), para nunca mais sair desse mundo.

– São histórias sinceras, com emoções profundas, relacionamentos intensos e uma beleza que encanta. Quem assiste, sente. E quem sente, se apaixona. Ser dorameira não é só ver séries, é se conectar com histórias que tocam a alma e atravessam fronteiras – declara Andréia.
Apaixonada também pelo K-pop, ela virou fã do grupo BTS e até ganhou da nora um totem em tamanho real do vocalista Jung Kook. “Sou muito mais feliz agora”, diz ela, com brilho nos olhos.
Quando o amor vira negócio
A paixão pelos doramas também transformou a vida da dorameira Thayná Pontes, de 30 anos. Funcionária pública e microempreendedora, ela abriu um delivery de produtos asiáticos: comidinhas, petiscos e bebidas inspiradas nas séries que ama.

– Tudo começou com minha mãe assistindo ‘Fadas da Limpeza’. Depois vi ‘Pousando no Amor’ e nunca mais parei – conta ela.
Thayná recomenda esse mesmo dorama para quem quer começar no universo: “É envolvente, emocionante e inesquecível!”. Ela também aponta que o respeito, o cuidado e a delicadeza dos relacionamentos retratados são os principais atrativos para muitas mulheres.
Entre os itens mais pedidos no seu delivery, os campeões são os pratos coreanos topokki e lamen. “Sempre que posso vou a São Paulo buscar novidades. Quero que mais pessoas em Campos tenham a chance de experimentar a culinária asiática e se conectar com esse universo”, afirma.
Dorama não tem idade
Quem também entrou de cabeça nesse mundo foi Rosemere Tancredi, de 62 anos. Monitora de alarme, ela começou a assistir doramas por sugestão da própria Netflix. Por curiosidade, deu play… e nunca mais parou.

– É a inocência do amor, a fantasia, a paz interior… Tudo mudou na minha vida. Antes, eu vivia deprimida. Hoje, estou mais alegre, com vontade de viver. Ser dorameira é ser feliz!”, vibra Rose, que tem como oppa favorito o ator coreano Rowoon. “Ele é o meu grande amor” – suspira.
E ela ainda deixa um recado: “Assistam! Os doramas são cheios de mensagens positivas, falam de amor, amizade, superação e são uma verdadeira terapia.”




























