Douglas Ruas (PL), de 37 anos, é o governador eleito do Rio de Janeiro após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidir, nesta quinta-feira (8), por 5 votos a 2, anular os votos recebidos por Anthony Garotinho (Republicanos). Com a decisão, Ruas alcançou 50,88% dos votos válidos, garantindo a vitória no primeiro turno, sem necessidade de uma nova votação. A oficialização do resultado depende da retotalização pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ).
Nascido em São Gonçalo, na Região Metropolitana, em 17 de janeiro de 1989, Douglas Ruas dos Santos é policial civil, formado em Direito pela Universidade Estácio de Sá e pós-graduado em Gestão Pública pela mesma instituição. É filho do prefeito de São Gonçalo, Capitão Nelson (PL).
Sua trajetória na administração pública começou como subsecretário de Trabalho de São Gonçalo, entre 2017 e 2018. Posteriormente, ocupou a superintendência regional do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), entre 2019 e 2020, e a Secretaria Municipal de Gestão Integrada e Projetos Especiais, entre 2021 e 2022.
Em 2022, foi eleito deputado estadual com 175.977 votos, conquistando a segunda maior votação para a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). No ano seguinte, licenciou-se do mandato para assumir a Secretaria estadual das Cidades, durante o governo Cláudio Castro (PL), onde permaneceu até março de 2026. Posteriormente, assumiu a presidência da Alerj.
O governador eleito mais jovem desde a fusão do Rio de Janeiro
Aos 37 anos, Douglas Ruas também entra para a história política fluminense como o mais jovem governador eleito desde a fusão dos antigos estados do Rio de Janeiro e da Guanabara, ocorrida em 1975.
Até então, o posto pertencia a Anthony Garotinho, que assumiu o governo em janeiro de 1999, aos 38 anos. Sua sucessora, Rosinha Garotinho, tomou posse em 2003, aos 39. Cláudio Castro, por sua vez, assumiu interinamente o Executivo em 2020, aos 41 anos.
Considerando a história anterior à fusão, houve governantes ainda mais jovens. Ernani do Amaral Peixoto assumiu como interventor federal no antigo Estado do Rio em 1937, aos 32 anos. Já o campista Nilo Peçanha chegou à presidência do antigo estado em 1903, aos 35.
A marca de Ruas, portanto, diz respeito ao período iniciado com a criação do atual Estado do Rio de Janeiro, em 1975.
Vitória definida no TSE
Na votação de domingo (4), Douglas Ruas recebeu 4.271.199 votos, equivalentes inicialmente a 49,27% dos válidos. Eduardo Paes (PSD), segundo colocado, somou 3.706.984 votos, ou 42,76%.
O resultado permaneceu condicionado à situação jurídica de Anthony Garotinho, que recebeu 274.411 votos, apesar de ter concorrido com o registro de candidatura indeferido pelo Tribunal Regional Eleitoral.
Nesta quinta-feira, o TSE confirmou a anulação desses votos, elevando o percentual de Ruas para 50,88% e afastando a realização de um segundo turno. O tribunal também rejeitou o pedido de desistência do recurso apresentado pela defesa de Garotinho.
Propostas e chegada ao Palácio Guanabara
Durante a campanha, Ruas apresentou a segurança pública como uma de suas principais bandeiras, defendendo ações de enfrentamento ao crime organizado e a recuperação de territórios dominados por grupos criminosos.
Na saúde, propôs a criação de Centros Integrados de Saúde, reunindo consultas e exames, além da regionalização de serviços especializados. Na educação, defendeu a ampliação da qualificação profissional, enquanto, na economia, destacou propostas de desburocratização, incentivo ao empreendedorismo e investimentos em infraestrutura.
Eleito pela coligação Rio Real, formada por PL, Mobiliza, Agir e Avante, Ruas terá Fernanda Louback (PL) como vice-governadora. A posse para o mandato de quatro anos está prevista para 1º de janeiro de 2027.
Aos 37 anos, o político de São Gonçalo chegará ao Palácio Guanabara com um marco geracional na história do estado e após uma disputa eleitoral cujo desfecho foi definido pela Justiça Eleitoral.


























