23/02/2022 às 10h59min - Atualizada em 23/02/2022 às 10h59min

Campos: Agentes da Prefeitura buscam por grande quantidade de pessoas que não se vacinaram contra covid-19; ATUALIZAÇÃO

- Redação
Agentes de Combate às Endemias (ACE) do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), da Secretaria Municipal de Saúde, participaram, nesta terça-feira (22), de treinamento para investigação de vacinados contra a Covid-19. Denominado "Encontro da Integração", o treinamento aconteceu no Teatro Municipal Trianon.
 
A partir de agora, os agentes, que já atuam na prevenção e controle dos vetores das arboviroses (dengue, zika e chikungunya), vão de casa em casa identificar os moradores que ainda não receberam a primeira dose da vacina, incluindo, crianças de 5 a 11 anos. A ação foi proposta pelo subsecretário da Subsecretaria de Atenção Básica, Vigilância e Promoção de Saúde (Subpav), médico infectologista e virologista, Charbell Kury, ao diretor do CCZ, Carlos Morales, que prontamente atendeu ao pedido.
 
Morales abriu o encontro, agradecendo à Subpav pelas estratégias adotadas para que toda a população possa receber a vacina. O CCZ, segundo ele, possui 240 agentes que visitam diariamente 25 imóveis, cada um. A Subpav elaborou um formulário a ser preenchido pelos profissionais a fim de saber quantas pessoas residem no imóvel, se todas receberam pelo menos a primeira dose da vacina e, se não, por qual motivo.
 
Antes de apresentar um slide com dados do Gabinete de Crise Covid-19, realizado em 21 de fevereiro, Charbell Kury se solidarizou com as famílias das vítimas de Petrópolis. Aos agentes, o médico disse que eles vão lutar pela vida das pessoas e que o trabalho que irão realizar será de fundamental importância para minimizar os casos e as mortes pela Covid-19.
 
Ele disse ter esperado muito pelo momento de poder entrar nas casas para o levantamento. “Já sabemos que 16 das 69 pessoas que morreram no município este ano de Covid, até o dia 10 de fevereiro, não tomaram nenhuma dose da vacina. Outras 53 estavam com o esquema vacinal incompleto. Temos hoje em Campos cerca de 30 mil pessoas com 18 anos ou mais não vacinadas e 30 mil crianças na mesma situação. Queremos tentar fazê-los entender que a vacina é segura. Vamos procurar saber também se há pacientes acamados ou com comorbidades que não foram vacinados. Em caso positivo e com consentimento da família, enviaremos uma equipe a casa para a devida imunização”, explicou o médico, ressaltando que o formulário contém ainda outras perguntas como “Você acredita na vacina? Se não acredita, qual é o motivo?”
 
O coordenador de Imunização da secretaria de Saúde, Leonardo Cordeiro, fez uma explanação da eficácia de cada imunizante disponível nas unidades de saúde. Ele também apresentou o questionário que os agentes irão preencher durante as visitas domiciliares.
 
A médica psiquiatra Lana Maria Pereira da Silva também participou do encontro, falando sobre os efeitos da pandemia na saúde mental. Segundo ela, os agentes devem estar preparados para encontrar pessoas resistentes à vacina por medo, angústia e precisarão entender que isso é legítimo e trabalhar para tentar reverter esse quadro. “A pandemia tornou o Brasil um dos países mais ansiosos do mundo. As pessoas estão no seu limite e a um passo de explodir”, afirmou.
 
Atualização:

Teve início, na manhã desta quarta-feira (23), a busca ativa de pessoas não vacinadas contra a Covid-19 ou que estão com o esquema primário incompleto em Campos. A ação é realizada pelos Agentes de Combate às Endemias, do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), em parceria com a Subsecretaria de Atenção Básica, Vigilância e Promoção da Saúde (SUBPAV). 
 
A estimativa é de que 55 mil campistas com idade igual ou superior a 5 anos ainda não receberam nenhuma dose do imunizante. Outras 20 mil não receberam a segunda dose e cerca de 49 mil pessoas acima de 18 anos que receberam a segunda dose há quatro meses estão aptas para a terceira dose, mas não voltaram aos postos. 
 
A busca ativa está sendo realizada por cerca 400 ACEs, sendo 240 concursados da Prefeitura e 160 do Ministério da Saúde, de forma simultânea em todos os bairros do município, que tem mais de 4 mil quilômetros de extensão. 
 
“O formulário da busca ativa está sendo preenchido durante a visita domiciliar de rotina para combate ao mosquito transmissor de dengue, zika e chikungunya. O objetivo principal é identificar as pessoas que não foram vacinadas, o porquê não foram vacinadas e se elas querem ser vacinadas”, explicou o diretor do CCZ, Carlos Morales. 
 
Para as pessoas que aceitarem receber a vacina, os agentes de endemias irão indicar o posto mais próximo ou, em caso de dificuldade de locomoção, irá comunicar ao Departamento de Vigilância Epidemiológica que irá designar uma equipe itinerante para ir ao local fazer a vacina. “Estaremos atuando como facilitadores, tentando convencer essas pessoas da importância da vacina e encontrar a melhor maneira para que sejam vacinadas”, disse Morales.
 
Uma das famílias visitadas pelos agentes foi a dos irmãos Maria Auxiliadora Imbeloni de Oliveira, de 65 anos, e Francisco Eduardo Imbeloni, de 68 anos. Eles moram no bairro Nova Brasília. No imóvel, todos já receberam as três doses da vacina e a neta de Maria, de apenas oito anos, recebeu a primeira dose. 
 
Maria revelou que em abril do ano passado chegou a ficar mais de 20 dias internada após ser infectada pelo coronavírus. “Quando tive Covid-19 ainda não tinha vacina para minha idade. Foram dias muito difíceis. A vacina é muito importante, pois minimiza casos como o meu e, por isso, falo para quem ainda não se vacinou que tome a vacina”, disse. 
 
“Tomei as três doses e só tive uma reação pequena quando tomei a primeira. Tenho marcapasso e hoje estou bem e seguro. Não tenham medo de tomar a vacina, tenham medo de morrer”, completou Francisco. 
 
A busca ativa será realizada de segunda a sexta-feira no horário das 8h às 17h. Todos os agentes de combate às endemias estão devidamente uniformizados e com crachá com QR code, que irá facilitar a identificação do profissional, caso seja necessário. 
 
Desde 19 de janeiro do ano passado, quando foi iniciada a campanha de vacinação contra a Covid-19, até segunda-feira (21), 395.390 pessoas receberam a primeira dose. Já os que receberam a segunda dose ou dose única, somam 345.118. Desse total, 150.135 receberam a terceira dose e 334 com a quarta dose (imunocomprometidos).
 
Durante o encontro, o radialista Wilson Araújo, que teve Covid em junho de 2020, emocionou a todos ao dar seu depoimento. Ele contou que, após 25 dias entubado e com 50% do pulmão comprometido, os médicos chegaram a dizer aos seus familiares que o quadro era irreversível. “Comecei com uma febre e resisti muito em ir ao hospital, apesar da minha família dizer que poderia ser Covid. No dia seguinte à internação, já estava na UTI. Não me lembro de muita coisa, apenas que tive alucinações por causa dos medicamentos. Não desejo a ninguém o que passei. Estou vivo por um milagre. Se conheço alguém que resiste à vacina, procuro convencê-lo do contrário”.   
 
A agente de endemias, Nelma Fidélis do Amaral, ressaltou a importância da ação. “Vou me esforçar para ajudar à Saúde nesse trabalho”, disse ela.

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