18/11/2019 às 16h18min - Atualizada em 18/11/2019 às 16h18min

Desmatamento na Amazônia cresce quase 30% e é o maior desde 2008

Levantamento é do sistema Prodes, do governo federal, que é o mais preciso para medir as taxas anuais de desmatamento.

G1
Ueslei Marcelino / Reuters
Quatro estados da Amazônia Legal foram responsáveis por 84,13% do desmatamento na região, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). No levantamento divulgado nesta segunda-feira (18), entre agosto de 2018 e julho de 2019, o Pará liderou o desmate da floresta, seguido por Mato Grosso, Amazonas e Rondônia.

Os dados são do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes). O desmatamento na Amazônia foi de 9.762 km² de agosto de 2018 a julho de 2019, e os quatro estados responderam por uma área desmatada de 8.213 km².

Pará tem maior contribuição

Com 3.862 km² de área desmatada, o estado do Pará teve a maior contribuição com o desmatamento da região. Foram 39,56% de toda a floresta derrubada.

Mato Grosso, Amazonas e Rondônia ultrapassaram os mil km² de desmatamento e foram, nesta ordem, os estados que mais contribuíram com o aumento da taxa de desmate atrás do Pará.

Maior desde 2008

O desmatamento na Amazônia entre agosto de 2018 e julho de 2019 foi de 9.762 km², maior número desde 2008, quando a floresta teve mais de 12 mil km² de sua área derrubada.

Em relação ao levantamento do ano passado, houve um aumento de 29,5% de áreas desmatadas em relação ao período de agosto de 2017 a julho de 2018 – quando foram registrados 7.536 km².

O sistema usa esse intervalo porque ele abrange tanto as épocas de chuva quanto as de seca na região amazônica. Desse modo, envolve os momentos mais cruciais no "ciclo do desmatamento" e é capaz de identificar eventuais influências do clima. O desmatamento costuma ser seguido de queimadas.

Realizado desde 1988, o levantamento do Prodes é considerado o mais preciso para medir as taxas anuais de desmatamento no Brasil. Porém, a informação publicada nesta segunda ainda é preliminar: como em todos os anos, o Inpe revisará o dado no primeiro semestre de 2020, e chegará à taxa consolidada.

O Prodes faz seu mapeamento com imagens dos satélites Landsat, CBERS e ResourceSat. O sistema consegue quantificar as áreas desmatadas maiores que 6,25 hectares. Também registra o chamado "corte raso" das florestas, que é a remoção completa da cobertura florestal primária. Segundo o Inpe, o nível de precisão do Prodes é de aproximadamente 95%.

Desmatamento na Amazônio cresce quase 30% e é o maior desde 2008

Tendências e medidas

O atual índice compreende áreas desmatadas no 2° semestre do ano passado, ainda sob a gestão do então presidente Michel Temer, e neste 1º semestre, já na gestão de Jair Bolsonaro. O atual ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, diz que fará uma reunião nesta semana para discutir medidas.

O pico do desmate ocorreu em 1995, 29.059 km², em período que abrange os governos Itamar Franco e Fernando Henrique, sendo que o número caiu para 13,2 mil km² em 1998.

Já em 2004 (agosto/2003 - julho/2004) novamente a área passou dos 20 mil km², chegando ao total de 27,7 mil km². À época sob a presidência de Luiz Inácio Lula da Silva, o governo lançou um plano de ação que incluiu a criação do Deter. Na visão dos especialistas, as medidas foram essenciais para a trajetória de queda nos anos seguintes, chegando ao menor número em 2012, com cerca de 4,5 mil km² desmatados.

Desmatamento por estados

No atual levantamento, quatro estados respondem por 84% da floresta derrubada. Com 3.862 km² de área desmatada, o Pará teve a maior participação. Foram 39,56% de toda a floresta derrubada nestes 12 meses.

Mato Grosso, Amazonas e Rondônia ultrapassaram os mil km² de desmatamento e foram, nesta ordem, os estados que mais contribuíram com o aumento da taxa de desmate depois do Pará.
 

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