15/01/2020 às 14h29min - Atualizada em 15/01/2020 às 14h29min

Lições do passado

Prof Sileno Martinho
LIÇÕES DO PASSADO!
 Analisando as mudanças que aconteceram no mundo a partir do último século e que fragilizaram a sociedade, trazendo tensão, angústia e medo, vou relembrar alguns fatos que estão vivos na memória e pode servir como parâmetro.  Retorno a meados do século passado. Um pequenino lugar, meio que esquecido no meio do mundo.  Vivia-se a base de trocas. Alimentos, frutas, verduras, tudo tirado de cada quintal, fruto do zelo e do amor pela mãe-terra. A mãe comandava as atividades diárias do lar, do fogão a lenha até a ave-maria ao deitar. Já o pai era responsável por tirar da terra ou dos rios, o sustento da família.
Na boca da noite, a família reunia-se para esperar ansiosa a volta do pai. Roupa remendada, pés descalços, marmita na mão, olhar cansado, sua chegada representava uma grande festa. Filhos corriam ao seu encontro e trocavam-se abraços e beijos. Existia amor.  A noite, na simplicidade de cada lar, vivenciava o verdadeiro “espírito cristão”. Lamparina acesa, família reunida, passava-se a limpo as lições do dia e antes de dormir a “ave-maria”. Dormia-se com as galinhas e acordava-se com o canto dos galos.
Impossível ser mal educado, não respeitar os mais velhos, não cumprir com a palavra empenhada e não perceber um olhar de reprovação. Medo? Não existia, porque havia confiança e respeito. Indiferença era palavra desconhecida. A vida seguia seu curso natural, sem malícia e sem maldade. As pessoas eram alegres e felizes.
Quanta coisa mudou desde então, até os dias atuais. A começar pelos valores  superficiais e inconsistentes. As relações familiares se deterioraram. Filhos agridem e matam seus pais por motivos torpes, muitas vezes por herança, outras pela droga e muitas outras por nada. Nas escolas, agridem-se professores. Alunas brigam nos pátios escolares e até nas ruas incentivadas pelas colegas. Na sociedade a corrupção endêmica permeia no seu contexto. A cultura vigente é levar vantagem em tudo. A palavra empenhada não tem mais valor. O descrédito é total. A sensação é que estamos perdidos, sem rumo nem direção. O retrato do momento é caótico e deprimente. Até a palavra honestidade virou sinônimo de burrice.
A verdade é que estamos pagando um preço muito alto socialmente pelas nossas próprias mazelas. Os consultórios estão cheios de pacientes com doenças psicológicas. Tensão e medo rondam as famílias.  Vivemos prisioneiros em nossa própria casa. Não dormimos quando nossos filhos estão na rua. O clima é desconfiança geral. Então, porque não aprender um pouco com a sabedoria dos nossos antepassados. Pode ser um ponto de partida. Recomeçar tudo a partir da família. Redescobrir o amor. Quem sabe seja uma saída. Talvez a única!
Sileno Martinho – Professor e Consultor.     
 
 
 
    
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